Só nós podemos ser o que somos

Dia desses assisti ao documentário “Eu maior”, um filme sobre autoconhecimento e busca da felicidade. Estou à caça dos dois. Em princípio fiquei receosa de ser algo melodramático, mas me surpreendi. É muito bacana. Foram entrevistadas personalidades, incluindo líderes espirituais, esportistas, intelectuais e artistas. Fiquei tão envolvida pelos depoimentos que não pude deixar de refletir sobre o que ouvi e sobre a capciosa pergunta que circunda o documentário: quem sou eu?

Em meio a dúvidas e questionamentos, chamou atenção à reflexão da Monja Coen acerca de, “o que é o ser humano?, o que eu sou? Corpo, mente e espírito? Integração de tudo isso”?

O ser humano é tudo isso, sim, porque somos estruturas complexas, de corpo, alma e coração. E acrescento mais, somos o que quisermos ser, porque cada um de nós constrói a sua própria vida. É sair de si e entrar em sintonia com os fenômenos os quais nos cercam, de forma a viver experiências, se expor aos riscos de aprender ou desaprender, cair ou levantar, ganhar ou perder, enfim, se expor ao risco de ser feliz ou não.

Entretanto, nossa existência somente terá sentido se tivermos a consciência de que estamos neste mundo para romper o desafio de conhecer nossa essência, de buscar o conhecimento, deixar de ser o que éramos ontem, para sermos o que somos hoje. É uma oportunidade e tanto de evoluirmos como espírito.

Mas, quem sou eu, afinal? Este é um conceito subjetivo. Freud, por exemplo, diz que “você é o que você fala”; a literatura sustenta que “você é o que você lê”; para Fernando Pessoa “cada um é muita gente. Sou quem me penso”; Aristóteles defende que somos o que nós fazemos repetidamente; a música matter of time (questão de tempo) da banda americana, Five Finger Death Punch, diz “o que nos define é a forma como vivemos”; e para mim, bem, sou aquilo que quero ser. E dia desses li um texto da escritora Martha Medeiros (já percebeu que sou fã, né?), cujo título é “Você é o que você gosta”, no qual convida o leitor para junto com ela fazer a lista de “quem você é” e termina dizendo, “agora é sua vez”.

– Tá certo, já que é assim, vamos lá, desafio aceito.

Eu sou liberdade, sou 100% verão, sou sol, sou mar, sou lua em qualquer fase, sou praia, de preferência as desertas, sou mergulho no mar, sou banho quente, sou boa companhia.

Sou óculos, sou carro, sou preto, sou azul, sou jeans, sou silêncio, sou quarto (o melhor lugar do mundo), sou cama, sou claridade, sou sorriso frouxo, sou paris (perfume feminino), sou bleu de Chanel (perfume masculino), sou São Paulo (tricolor paulista, amado clube brasileiro).

Sou bacalhau a qualquer moda, sou pão de queijo, sou suco de maracujá, sou vinho, sou champanhe, sou caipirinha de saquê, sou sorvete de passas ao rum.

Sou também Woody Allen, sou Patti Smith, sou Bob Marley, sou Harrison Ford, sou Michelle Obama, sou Fernanda Monte Negro, sou Clarice Lispector, sou Ariano Suassuna, sou Fernando Pessoa, sou Carlos Drummond de Andrade.

Sou cinema, sou teatro, sou gibi da turma da Mônica, sou internet, sou música, sou documentário, sou livro, sou livro e sou livro.

Sou “Meu pé de laranja lima” (José Mauro de Vasconcelos), sou “O pequeno príncipe” (Antonie de Saint-Exupéry), sou “Além do bem e do mal” (Friedrich Nitetzsche), sou “Sonho de uma noite de verão” (William Shakespeare), sou “A insustentável leveza do ser” (Milan Kundera), sou “Carta ao filho” (Betty Milan), sou “Depois a louca sou eu” (Tati Bernardi), sou “Diário de um analisando em Paris” (Claudio Pfeil), sou “O primeiro homem” (Albert Camus), sou “Ainda estou aqui” (Marcelo Rubens Paiva), sou “ O complexo de portnoy” (Philip Roth).

Sou Brasil, sou Paris, sou Londres, sou São Paulo, sou Piauí, sou Nova York, sou Miami, sou qualquer lugar que tenha sol (porque é para lá que vou). Sou quem levaria para uma ilha deserta, sou as três coisas que pediria para o gênio da lâmpada.

Nesse sentido, somos intrinsecamente solitários, mas não sou solidão, sou felicidade.

– Agora é sua vez.

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