O começo do fim

“Os vilões dos dentes são, principalmente, alimentação incorreta e os hábitos errados de higiene bucal. O cuidado preventivo diário, incluindo escovação e uso apropriado de fio dental, ajuda a interromper os problemas antes que se instalem e é menos preocupante e mais barato”. Afirmam especialistas.

Eu nunca tive problemas com dentes, pelo menos problemas sérios. Durante toda minha vida tive apenas duas restaurações – de amalgama, aquela escura –, as quais foram colocadas na adolescência. Há algum tempo, numas dessas avaliações de rotina o dentista sugeriu, “no dia que você quiser podemos trocar essa obturação por uma de porcelana. Mas não é nada urgente é só estética”.

– OK.

Após alguns meses resolvi trocar a obturação. Foi tranquilo e rápido, pois era só estética. Ao passar o efeito da anestesia comecei a sentir desconforto, que evoluiu para dor e choques. Moral da história: tive que fazer canal. Depois disso não mais senti dor.

Passei muitos anos indo ao dentista só por prevenção.

Pois bem. Sempre considerei que problema dentário é causado por negligência ou é sintoma clássico do envelhecimento. Na realidade, para mim, é o começo do fim de qualquer indivíduo. Sei que envelhecemos diariamente, entretanto, o tempo já me sinaliza a real. Presta atenção.

Todo “ansioso” que se preze carrega consigo o “bruxismo”  ranger ou apertar fortemente os dentes, cuja consequência é dor ou amolecimento, e às vezes, partes dos dentes são desgastadas. Eu sou ansiosa e tenho bruxismo, e ultimamente agudizou os sintomas. Para prevenir o desgaste é indicada placa protetora de silicone. Tenho uma, mas não uso porque sinto fadiga.

Mais uma vez acordei com sensibilidade em todos os dentes isso significa que a bruxa se soltou na noite anterior–, e ao mastigar os alimentos, um dente em especial doía. Fui ao dentista para ver o que causava a dor.

O dentista examinou, examinou, olhou daqui, olhou dali e respirou fundo.

– Seu dente está quebrado. – Falou quase murmurando.

 Fiquei aterrorizada.

Sabe aquele dente do canal? Foi ele.

– E agora?

–Vou tentar salvar o dente porque a raiz está preservada. Inicialmente, a solução é colocar um pivô, se eventualmente não der certo não haverá outra saída, vamos ter que extrair o dente e fazer implante. – Disse segurando minha mão.

Fiquei muito mal.

Não saia da cabeça aquela palavrinha, “pivô”, “pivô”, repetidas vezes “pivô”. Imediatamente fui tomada pela imagem do pai de um amigo que, certa vez, ao falar comigo o pivô dele resolveu pular da boca e atravessar toda a sala; não saia da cabeça a possibilidade de ter que usar uma prótese no lugar do dente. Meu destino estava traçado: “Era o começo do fim”. Além disso, até ouvia o barulho do dinheiro que teria de desembolsar.

O drama corroia minhas entranhas.

Uma hora mais tarde estava eu com a marca do envelhecimento cravada na boca – segundo minha perspectiva –; curativo à espera da cicatrização; dor na alma; e seguramente mais pobre.

Dias depois foi colocado o pivô provisório, sem qualquer intercorrência.

– Quanto vai ficar essa “brincadeira”? – Perguntei preocupada.

– Fica tranquila, vamos esperar a reação, depois a gente fala de pagamento. Em primeiro lugar vamos resolver o problema.

Fui direto na defensiva:

– Deve ficar caro, né? Quando eu souber o valor, se não tiver um ataque cardíaco e bater as botas, por favor, faz um carnê e divide em 12 vezes.

– Carnê, só nas CB!* (Sem merchan!)– Assentiu sorrindo sarcasticamente.

“Ôxi”, desde quando tem dentista nas CB?

 * (CB é um popular rede de varejo que utiliza carnê, com tradição no pagamento em parcelas a perder de vista).

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