Minha revolução

Minha revolução

Hoje acordei e não lembrava nem de meu nome. Não tinha angustia, sonhei acordada, me identifiquei comigo e atravessei para o outro lado, o outro lado de mim .
Só queria sossego e um bom livro. Se for bom leio todo, se não me agrada leio até a página 20. Aproveitei e decidir fechá-lo na 18, sem marcador. Ele voltou para a estante, de novo. Peguei outro, o do fim da fila. Por que esperar se eu estava com vontade de pular a lista, e se era o último que estava à vista!?
Quem me ajuda não chegou, deixei a louça na pia e soltei o melhor do meu humor.
Abri o aplicativo do banco, vi minha conta. Ah, vi minha conta!
Levantei. Fui a um lugar que odeio,decidi cancelar a academia, não queria mais. Por que sofrer e ainda pagar pelo sofrimento? Cheguei lá não cancelei, treinei. Só para constar, vou voltar de novo para “malhar”.
Fui à praia, pus a cara ao sol, passei do ponto, foi assim que eu quis e brotei de novo.Pronto.
Desejei amor a quem só tem disposição para jogar pedras. Meu refúgio agora está escancarado. Não deixei de ir. Encarei de frente quem um dia me amedrontou, e como foi libertador!
Às vezes me sinto exaustivamente cansada, ainda bem que faço o que amo. Por falar em amor, desliguei o celular, elogiei, pus a cabeça no peito de alguém, escutei seu coração pulsar acelerado, e também ouvi, “que nunca me falte o seu abraço. Que bom ter você do meu lado”. Hoje eu amei. foi a conclusão que cheguei.
Não se surpreenda, esse é apenas meu novo jeito de ser, e só depende de você creditar ou não na minha revolução.

Ana Costa

compulsiva, escritora, aluna da vida e idealista em conflito. Viciada em viagens, praia e psicanálise. Ama boa mesa, bom papo, música, ciências e ideias excêntricas. Dividiu sua vida profissional em duas fases: a primeira foi vivida por mais de três décadas, na área da saúde, no mundo científico, acadêmico e gestão pública, período em que publicou vários artigos científicos; a segunda iniciou em 2015, quando assumiu seu jeito peculiar de escrever, ao reconstruir sua história como escritora. Autora de crônicas, contos e do livro “Volta - se houver motivo para voltar”. Enfrenta o mundo com a imprevisibilidade do artista, precisão do arquiteto e a criatividade do escritor.

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